sábado, 13 de abril de 2013

O Conflito: A Mulher e a Mãe por Elisabeth Badinter


Tem alguns meses li esse livro e foi preciso tempo para processá-lo, não um tempo externo, mas tempo interno...

Rodeada de amigas grávidas ou mães de primeira viagem, me vejo vivendo junto com elas o dilema da maternidade e do trabalho.  Talvez, por isso entrevisto todas a mulheres que passam pela minha frente: Quantos anos você tem? Tem filhos? Quantos anos tinha quando teve o primeiro filho? E como foi? Faria diferente? E de colheita em colheita não chego a decisão alguma...

Porém, ao ler o livro encontrei minha categoria, postponer (aquela que deixa para depois). Deixam para depois do casamento, deixam para depois do apartamento, para depois das férias dos sonhos, daquela promoção desejada, e a lista cresce e cresce a cada dia. Segundo meu marido, as chances de um mulher engravidar após a leitura desse livro cai drasticamente. Minha opinião é que não é bem assim, esse livro me trouxe consciência. Consciência para o tamanho desse papel na minha vida e do tamanho que o papel profissional ocupa hoje na minha vida.

Também tem um aspecto muito interessante, Elisabeth Badinter, nos convida a pensar sobre a obrigatoriedade da maternidade.  Um dia experimentei levantar a pequena e remota possibilidade de que poderia escolher não ser mãe para ser veemente questionada pelo grupo de espectadores. Ou seja, a categoria descrita pela autora como childfree é vista socialmente de forma pejorativa, como que uma categoria insensível e que necessariamente precisa dar explicações claras por sua negação à maternidade.

Outro ponto muito interessante e que me toca profundamente é a relação das mamães com seu trabalho. Como diz uma amiga: Por que as mulheres tinham que queimar os sutiãs? Ao mesmo tempo me pergunto, será que precisamos ser as profissionais super bem sucedidas o tempo todo nas nossas vidas? Seria possível desacelerar e viver a maternidade de forma mais completa? Parece que nas empresas ainda não! A maternidade, na grande maioria das empresas não é muito apreciada, outro dia, ouvi de uma cliente mulher e que tem filhos pequenos que não contratou uma funcionaria porque essa mencionou em entrevista que desejava engravidar no ano seguinte.

Apesar de algumas empresas começarem timidamente a adotar horários mais flexíveis o que favorece as mulheres, isso não resolve o problema, pois não se trata de trabalhar somente em horários diferentes, mas sim trabalhar menos durante um pequeno período da vida. Ainda é pequeno, se não inexiste a cultura de part time job (trabalhos de meio período) aqui no Brasil, quem sabe não evoluímos nesse sentido. Enquanto as empresas adotam cotas para que as mulheres evoluam escada hierárquica me pergunto se não estaria na hora de pensarmos em criar um ambiente que favoreça a presença feminina nas organizações, livre de preconceitos e pressuposições, perguntando às próprias mulheres o que facilitaria sua permanência e crescimento na empresa.

Esse é o contexto externo, mas acredito que a relação da mulher com os demais papéis de sua vida passa por um conflito interno. Crescemos vendo nossas mães assumindo a casa e a maior parte do cuidado com os filhos, trabalhando, mas não na mesma intensidade dos nossos pais. Hoje o jogo mudou, comparativamente a jornada de trabalho dos homens e mulheres é bastante parecida, porém parece que há uma “cobrança inconsciente” de que, embora em pequeno grau, a parcela maior da casa e dos filhos recaia sobre nós. Falo cobrança inconsciente, porque muitas vezes, os homens de nossas vidas não estão nos cobrando por isso, mas nós estamos. Diante disso, a maternidade vira um peso, como ser a melhor profissional, ter sucesso na carreira, estar socialmente presente, cuidar da casa, do marido, estar em dia com a ginástica, boa alimentação e ainda ser um mãe que participa da educação e crescimento dos filhos com qualidade e presença? Qual o espaço para sobra para nós mesmas?

Espero que esse texto não desanime futuras mamães, mas nos anime a criar um grupo de apoio para que possamos rever nosso papel no trabalho e no mundo, não da forma das nossas antecessoras, mas encontrando nosso próprio caminho... respeitando e acolhendo o feminino e o masculino dentro de nós!

Um comentário:

  1. Eh uma decisão bem difícil de ser tomada, eu demorei 7 anos para ter a Flavia e nem foi uma decisão ela veio sem planejamento, assim como a Fernanda. Eu pensava que devia ser muito bom ter filhos, mas que não ter também, era. Nos viajamos muito, saiamos sem compromisso nenhum, era muito bom. Além disso, eu não percebia em mim o tão falado instinto materno, não tinha afinidade com crianças, achava que elas incomodavam, bagunçavam os lugares, enfim....Foi só quando a Flavia nasceu que eu comecei a entender melhor os pequenos. Hoje não me incomoda o choro de uma criança no avião e nem o vomito no restaurante – com tanto que não seja em cima de mim....- E hoje com a Flavia com 19 anos e a Fe com quase 15 olho para trás e penso como dei conta???? Tendo trabalhado 26 anos dentro de empresas com horário para entrar e sem horário para sair? Primeiro, sempre tive sorte com as minhas auxiliares domesticas. Maria , a primeira cuidou, principalmente da Flavia como se fosse filha dela, sinto muita gratidão por ela, ate porque eu demorei uns 2 anos para cair a ficha do meu papel de mãe. Além disso, um marido que fazia todas as atividades de cuidar de filhos, menos amamentar no peito.....Meus pais que sempre estavam a postos quando precisa deixa-las para fazer alguma coisa que não fosse possível inclui-las. Como sair com o marido para jantar ou uma viagem de fim de semana, sim porque além de mãe somos esposa, filhas e profissionais. Para ser mãe não eh necessário abandonar os outros papeis, apenas inclui-lo. Digo que filhos dão muito trabalho, sim, mas a gente se diverte muito com elas e principalmente aprende, não só a ser mãe, mas a ser uma pessoa melhor nesse mundo tão conturbado. E se você esta acostumada a resolver pepinos todos os dias, vai dar conta de mais esse pepininho. Vale muito a pena!!! Não deixe de viver essa experiência! Não pense muito. Beijos Malu – Maria Luza de Oliveira Palumbo

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