
Viajar é sair para dentro
O chamado para a estrada veio para Antonio Lino como uma possível fonte de inspiração para a literatura. O escritor morava em São Paulo quando ouviu o apelo e levantou da escrivaninha. “Era muito cedo para me acomodar. Eu suspeitava que tinha outras vidas para viver”, conta, depois morar um ano e três meses numa Kombi, viajando pelo Brasil.
Tendo experimentado o antigo paradoxo dos andarilhos (“viajar é sair para dentro”, escreve o autor), Lino narra suas histórias no livro Encaramujado: uma viagem de Kombi pelo Brasil (e pelos cafundós de mim).
Manuscrito na estrada, o livro reúne crônicas e contos sobre as gentes e os lugares que o autor conheceu pelo caminho. Fã confesso de Julio Cortázar, Lino admite a inspiração em “Os Autonautas da Cosmopista”, que relata uma viagem de Kombi que o escritor argentino fez entre Paris e Marselha, na década de 80. Na versão do paulistano, a viagem passa por mais de cem cidades, em quinze estados brasileiros. Ao todo, foram mais de 30 mil quilômetros rodados.
De carona com os textos de Encaramujado, o leitor refaz na imaginação todo o trajeto percorrido pela Kombi branca, equipada com uma caixa de livros no bagageiro e um sofá-cama no lugar do banco de trás. O verdadeiro movimento, entretanto, está nas entrelinhas: muito mais do que um mero relato descritivo da viagem, nas páginas de “Encaramujado”, através de um olhar sensível, repleto de poesia, o que Antonio Lino revela melhor, como retratos a sorrir pela janela da Kombi, são as suas próprias paisagens internas.
Encaramujado, um livro de Antonio Lino
À venda pelo site www.encaramujado.com.br (R$ 35)
E disponível também em versão digital (preço livre)

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