Oi, meu nome é
Mônica, sou gaúcha, soledadense para ser mais exata, atualmente moro em São
Caetano do Sul, São Paulo. Considero, que
descobri o sabor de andar pelo mundo de forma tardia, sendo que minha primeira
viagem de avião fiz aos 24 anos... mas como sempre digo, quando o bicho da
viagem nos pega, quando descobrimos o gosto de nos aventurarmos por lugares que
não conhecemos, ai não tem mais volta...
Tenho desconfiança
que a constituição da nossa “genética familiar” tem algo a ver com isso, já que
conheci meu marido Barry, irlandês de nascimento, mas cidadão do mundo por
vocação, em Barcelona, onde morei por 5 anos e, aos 7 meses de gravidez de meu
filho Liam, decidimos vir morar no Brasil.
Conversando com minha
amiga Patrícia, sobre as aventuras, delícias e perrengues que a gente passa ao
viajar com nossos pequenos é que surgiu a ideia de escrever este texto. E nada
melhor do que começar pelo princípio e dividir com vocês sobre nossa primeira
experiência na estrada com Liam. Nós, assim como
muitos pais tínhamos a dúvida: Quando é momento de viajar com nosso bebê pela
primeira vez?
Sem dúvida esta é uma
pergunta bem complexa, que eu nem ouso tentar responder, pois cada família tem
necessidades e também dinâmicas diferentes, e o que é bom pra mim possivelmente
não será bom para outra pessoa. Como reféns num
cativeiro, sedentos para colocar o pé na estrada, esperamos o nosso pequeno
completar 3 meses e com o aval do pediatra em mais um porta-malas cheio de
tralhas decidimos que tínhamos que apresentar o mar para o nosso filhote. E lá fomos nós
pesquisar lugares que pudéssemos ir de carro, que não fosse tão longe de São
Paulo, que tivéssemos uma boa infraestrutura e que fosse bonito, ar puro e
tranquilidade... uma lista de expectativas razoável!
Sem conhecer muita
coisa e sem saber que as distâncias nem sempre correspondem com o tempo
(levávamos pouco mais de 5 meses por estas bandas) escolhemos Paúba, uma praia
que fica depois de Maresias, no litoral norte paulista. E aí aprendi minha primeira lição: coerência,
ela nem sempre estará entre nossas escolhas...
Saímos no sábado cedinho pela manhã, nesta
fase Liam dormia muito, o que acreditamos que seria perfeito, pois ele dormiria
pelas 2 horas que estaríamos na estrada.
E neste ponto tudo correu bem, pois efetivamente ele dormiu. Só que não
levamos duas horas, mas 3 horas e meia...
Chegamos no hotel
para o almoço, que tinha um restaurante simpático, onde conseguimos comer
algo... mas eles não serviam jantar (ponto muito negativo, pois aqui descobri a
segunda grande lição: é de fundamental importância que o restaurante do hotel
sirva toooodas as refeições, pois a probabilidade de sair jantar fora, ou até
mesmo procurar um lugar para comer são bem pequenas quando temos um bebê), o
hotel ficava uns 500 metros do mar, disponibilizava transporte e pela tarde conseguimos
curtimos um pouco da praia.
Depois de uma horinha de praia, fomos a Maresias comer algo
e em seguida voltamos para o hotel, pois com um bebê de três meses, você se
recolhe cedo e foi ai que outro item da nossa lista de prioridades, aquela lá
de cima, lembram..., entrou em conflito: o hotel era tranquilo, bonito e tudo
mais, mas estava situado praticamente dentro da Serra do Mar, ou seja, a noite
foi caindo e com ela, todos os barulhos de animais começaram a surgir... e a
tão sonhada tranquilidade foi para o espaço, pois passamos boa parte da noite
acordados, ora pelo choro do nosso pequeno (que nesta fase ainda tinha as
crises de cólicas) ora por medo dos barulhos que eu escutava ou imaginava, pois
a esta altura, o fim de semana perfeito já tinha virado pesadelo.
O dia, finalmente, amanheceu, e como sabíamos que tínhamos um longo
caminho de volta, decidimos cedinho pegar a estrada de volta. E nunca,
nunquinha fiquei tão feliz em voltar para o meu lar seguro lar!
Das lições que aprendi nesta primeira viagem:
- Fazer malas: com um bebê tão pequeno, você leva tudo que
possa achar, imaginar ou sonhar que irá precisar...então não é tanto drama, mais
ainda se você vai de carro...a máxima é enquanto tem espaço, a gente vai
carregando. Com o tempo fui ficando mais descolada, e hoje a mala nem de perto
nem de longe é um problema, pois desde que nãos seja um item muito específico,
você sempre pode comprar.
- Distância: Hoje já planejamos melhor este quesito, pois
ele já não dorme tanto durante a viagem, e as paradas são mais frequente, mas
quando bebezinho, nunca foi um grande problema.
- Destino: nem sempre o destino dos sonhos é o local ideal
para irmos com nossos filhotes, no caso, uma praia tranquila, afastada de tudo,
sem um hotel com uma boa estrutura (isso que nem levei em conta farmácia,
hospitais, atendimento de emergência...) é a melhor escolha para ir com um bebê
de 3 meses, hoje certamente não seria minha escolha.
Resumo: embora a expectativa x realidade possa ser
considerada como um meio fracasso, acho que foi válido, pois já nesta primeira
viagem descobrimos coisas importantes, e a principal delas seria que viajar com
uma criança era outro departamento, outro mundo, outra história, apesar do
cansaço, medos, e preocupações, ficamos felizes por termos vivido nossa primeira
grande aventura, que daquele momento em diante passava a ser escrita à três.
Abraços e até breve!
Mônica




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