quinta-feira, 16 de abril de 2015

Eu preciso de um mentor?

Gabriel é um jovem profissional da área de TI que me procurou no passado para fazer coaching. Atualmente, resolveu empreender e abrir um negócio na sua área de atuação. Me escreveu recentemente com o seguinte questionamento: Eu preciso de um mentor?

Com a autorização do próprio Gabriel compartilho minha resposta com vocês leitores:

"Querido Gabriel, minha resposta é SIM, todos precisamos… Nas mais diversas fases da vida e para os mais diversos assuntos e temas… E, provavelmente, você já teve diversos mentores na sua vida. Talvez você não lembre ou não tenha reconhecido que utilizou alguém como mentor. Eu mesma nesse momento estou precisando muito de mentores, seja mães mais experientes, especialistas no assunto, o pediatra que me socorre tarde da noite me dizendo o que é melhor fazer diante do choro incessante da minha pequena, uma amiga que tem o filho com a mesma alergia à proteína do leite que minha filha. Porém, é preciso diferenciar duas coisas: mentoring formal e informal. O mentoring informal é aquele que acontece aleatóriamente quando você procura alguém MAIS EXPERIENTE no assunto em questão para tirar uma dúvida, dividir uma angústia, tomar uma decisão. Inclusive podemos lembrar daquele momento que você me procurou para fazer coaching e conversamos sobre suas possibilidades de carreira, você não me contratou na época porque não era coaching que você buscava era mais orientação sobre o que fazer, como agora com essa pergunta: devo ter um mentor? O mentoring informal acontece o tempo todo nas nossas vidas e graças a ele evoluímos, crescemos, aprendemos e evitamos alguns tombos. Já o mentoring formal, este pode ser, também de extrema valia para qualquer profissional, principalmente, os empreendedores como você que, na maioria das vezes, não tem um gestor mais experiente com quem conversar. Não saberia te dizer se existe mentoring na área de TI ou pessoas especializadas para mentorar profissionais de TI, por outro lado quando estamos buscando um mentor ele não precisa necessariamente ter a mesma área de atuação nossa, ele precisa sim ter aquilo que estamos sentindo falta no nosso momento pessoal. Vou exemplificar: se você quer abrir uma empresa de TI seria interessante ter como mentor alguém que já abriu uma empresa, já viveu o dilema de empreender e teve sucesso, se for da área de TI, ajuda, mas não é imprescindível. Outro exemplo, se eu sou mãe e trabalho e considero as duas coisas importantes na vida e estou tendo dificuldades de conciliar preciso de uma mentora que seja mãe, trabalhe e já tenha conseguido equilibrar essa equação para me aconselhar. Ficou claro? Espero que sim. Importante: para um processo de mentoring dar certo é importante que você tenha uma boa relação com seu mentor, inclusive que você o admire e confie nele, pois só assim você irá dividir abertamente seus dilemas, fraquezas, medos, dificuldades e, o mais importante de tudo, SEU SONHO!

Espero ter ajudado você na sua empreitada!"

Mentoring na Prática


Ao facilitar a implantação de um programa de Mentoring na BASF, os mentorados colocaram que tinham a necessidade de ouvir profissionais  que já passaram por esse processo, então fomos buscar a ajuda de quem entende do assunto a empresa Promon Engenharia. Há alguns anos, em conversa com uma gestora de RH da empresa, ela relatou o quanto esse programa é importante na Promon. Já existe há mais de sete anos, a alta direção da empresa participa e já passaram pelo programa mais de 130 profissionais como mentores e mais de 200 como mentorados. Elaboramos algumas perguntas e dois mentorandos da Promon nos premiaram com suas respostas.


Boa Leitura!






LUCIANA RAMOS TAVITIAN VARGAS
Analista
Administradora formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com experiência em desenvolvimento de planejamento estratégico, indicadores de desempenho, critérios de estruturação de cargos e administração de salários.

Pós graduada em gestão de negócios e projetos, pela FIA – USP.



Mais do que um guia de carreira, a mentoração da Promon é uma forma de aprendizado inter-áreas, possibilitando a interface entre outros profissionais e diferentes conhecimentos, ultrapassando as fronteiras de seus afazeres diários. 

O programa de mentoração da Promon é muito importante para meu desenvolvimento e orientação de minha carreira. É um  meio eficiente para ouvir a experiência e o conhecimento do mentor.

Hoje, sei que a escolha do mentor tem que ser combinada com alguns quesitos que esta combinação será determinante para o sucesso do programa. 




1.    Como foi sua experiência como mentorado?
Ser mentorado é uma experiência muito gratificante e empolgante. A mentoração, hoje, é muito ativa em meu desenvolvimento profissional e também pessoal.

2.    Quais foram seus desafios ao longo do ciclo de mentoring? Como lidou com os desafios?
No programa de mentoração, traçamos metas para serem cumpridas dentro de um ano, direcionadas para projetos profissionais e desenvolvimento comportamental. Foi essencial ter a opinião e a colaboração de meu mentor.

3.    O que mais gostou no seu programa de mentoring?
Gosto da interação ativa do meu mentor, que me ajuda e orienta de forma que eu consiga mapear os reais caminhos para o melhor desenvolvimento.

4.    Que dicas daria para alguém que está vivendo um programa de mentoring? O que faria diferente?
As dicas são para a escolha e manutenção do mentor: especialização semelhante ao do mentorado (formação, extensão e/ou objetivo de carreira), ter experiência e conhecimento da organização e de mercado, um mentor que mostra o “como” fazer e que também mostre claramente o perfil do “não sonhador” de carreira. Sendo assim, a meu ver, a mentoração se torna algo mais profundo em relação ao desenvolvimento do mentorado.


5.    Como o programa de mentoring contribuiu com sua carreira?
Contribuiu ativamente em projetos profissionais, no meu desenvolvimento comportamental e no meu auto reconhecimento como profissional (forças e fraquezas).













KELVIN TAMURA
Engenharia Mecânica
Engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, com experiência em especificação de equipamentos de manuseio de sólidos para compra e projetos de terminais de armazenagem e transbordos rodoferroviários de grãos. Cursa mestrado em simulação e otimização logística no setor naval, na Escola Politécnica – USP e participou do programa de mentoring da PROMON ENGENHARIA.


1.    Como foi sua experiência como mentorado?
A minha experiência como mentorado foi a melhor possível. Realmente, me surpreendi com este programa, pois quando me candidatei para participar devo admitir que não possuía grandes expectativas, por acreditar  se tratar apenas de um programa de orientação mais superficial. Com o início das reuniões e a empolgação e dedicação do meu mentor, pude ver o quão importante e agradável é este programa. Hoje, recomendo a todos os meus amigos e conhecidos., Foi algo que realmente me ajudou a crescer e a me desenvolver como profissional.

2.    Quais foram seus desafios ao longo do ciclo de mentoring? Como lidou com os desafios?
O primeiro desafio do ciclo de mentoring foi a escolha do mentor, pois aqui na Promon temos uma extensa lista de mentores. Para fazer esta escolha, busquei estudar os currículos disponibilizados de cada um deles e tentar conversar com amigos que já participaram do programa para saber a opinião deles a respeito de seus mentores.
Como o meu mentor é um diretor da empresa, no começo tive bastante receio sobre o que falar e quais assuntos abordar, porém, com o passar do tempo e após conhecê-lo melhor, ele me deixou bastante à vontade e me deu liberdade para abordar qualquer assunto de meu interesse, tanto profissional como pessoal.
Por último, um dos desafios que enfrentei foi em relação às dúvidas que tinha a respeito da minha carreira e meus pontos a melhorar, os quais foram tratados com bastante atenção. Para buscar uma solução para cada um deles, foram feitas longas conversas e pesquisas.


3.    O que mais gostou no seu programa de mentoring?
O ponto que mais gostei do programa de mentoring é que é um programa muito agradável e descontraído, em que tive bastante liberdade para conversar sobre assuntos tanto profissionais quanto pessoais. Também tive a oportunidade de conhecer um diretor da empresa, que é o meu mentor, pelo qual tenho grande admiração e que se tornou um grande amigo ao final do ciclo.

4.    Que dicas daria para alguém que está vivendo um programa de mentoring? O que faria diferente?
Para o programa de mentoring dar certo o primeiro passo é a escolha de um bom mentor, pois será ele que irá nos auxiliar e nos orientar ao longo de todo o ciclo. Para isto, é interessante ver o currículo dele e, principalmente, buscar opiniões de outros mentorados dele.
O próximo passo é que ambos, o mentor e o mentorado, estejam engajados e comprometidos com o programa. Conheço alguns casos em que por falta de interesse de algum dos lados, o programa não se desenvolveu muito bem.
Para finalizar, acredito que é importante o mentorado ir com a cabeça aberta e disposto a escutar e aprender.


5.    Como o programa de mentoring contribuiu com sua carreira?
Quando iniciei o meu ciclo de mentoring eu era recém-formado, cheio de aspirações, empolgação, ansiedade e, principalmente, dúvidas. Eu possuía dúvidas a respeito de qual carreira seguir e se deveria continuar na área da engenharia, pois naquela época a Promon estava com a demanda de trabalho baixa e eu estava começando a ficar desmotivado. Também tinha vontade de fazer uma pós-graduação, porém não sabia se seria melhor seguir para um mestrado ou fazer um MBA. Por meio de encontros de mentoração fomos lidando com cada uma destas dúvidas em que ele me contava as suas experiências, me ajudava a compreender o motivo das minhas dúvidas e estudávamos cada caso. O resumo destas conversas que tivemos ao longo de todo o programa se transformou no meu plano de carreira de curto e médio prazo.

Agradecimento especial para Roberta Bonanigo e Gabriela Hattori da área de RH da Promon Engenharia e para o Luciana Ramos e Kelvin Tamura que gentilmente cederam suas experiências para que outras pessoas possam se desenvolver.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Coaching e Liderança: Como um processo de coaching pode contribuir com o desenvolvimento de um líder?


Com a entrada de novas gerações no mercado de trabalho e o avanço da tecnologia, o estilo de liderança exigido aos líderes tem se transformado. Cada dia mais é esperado um líder com perfil coach. E como é esse líder com perfil coach? Segundo Eliana Dutra*, a primeira coach MCC (Master Coach Cerfified pela ICF International Coach Federation) do Brasil,  “se o gestor ouve verdadeiramente com interesse e entende além das palavras;  se ele pergunta poderosamente sem que a equipe se sinta encurralada, sem tentar dirigir para a solução que ele pensou;  se a equipe se sente desafiada, mas não ameaçada; se ele dá feedback ou informa sem que a equipe fique ressentida – então, provavelmente, ele é um gestor coach, tendo ele aprendido essas habilidades ou faça isso naturalmente.” 

Se prestarmos bem a atenção na  definição de gestor coach identificaremos que se tratam muito mais de habilidades comportamentais e interlacionais do que habilidades técnicas. Essas habilidades geralmente são desenvolvidas ao longo de nossas vidas através de experiências práticas. Quando não tivemos a oportunidade de exercitar esse tipo de habilidade na vida é perfeitamente aceitável que nos sintamos inseguros ou perdidos quando assumimos o papel de líder de uma equipe. Nesse contexto, o coaching surge como uma possibilidade para desenvolver essas competências práticas. Sempre brinco com as empresas que atendo, coaching definitivamente não é remédio para tudo, pois não adianta um gestor passar pelo processo de coaching, desenvolver habilidades relacionais e seu gestor adotar um estilo de liderança completamente oposto ao que aprendeu no processo de coaching, mas isso é assunto para outro artigo.

Agora que já identificamos que o coaching pode contribuir com o desenvolvimento do líder responderei, como isso acontece de forma prática em um processo de coaching. Na primeira fase do processo de coaching o líder passará por uma etapa de auto conhecimento com a utilização de ferramentas de mapeamento de perfil de liderança e feedback 360, recebendo inputs de como é percebido pelas pessoas que interagem com ele no seu dia a dia de trabalho. Por que essa é uma fase crucial do processo? É difícil encontrar nas organizações uma cultura de diálogo franco e aberto, assim quanto mais o líder sobe na hierarquia organizacional, menos feedback recebe sobre como seu comportamento impacta nas pessoas que interage e, é muito difícil, mudarmos um comportamento se não sabemos o impacto negativos que ele causa. Outro aspecto interessante de passar por um processo de coaching é que o líder experimentará a força dessa ferramenta na sua própria vida. O líder irá perceber o poder da mudança quando ela parte das ideias do próprio indivíduo (neste caso ele mesmo) e como quando encontramos a solução por nós mesmos a implementação da mudança se torna mais fácil. Ele aprenderá por meio das perguntas do seu coach adotar perguntas mais abertas e poderosas com sua própria equipe, experimentando uma nova forma de diálogo com seus liderados. E, por último, mas não menos importante, um processo de coaching dura aproximadamente 6 meses a um ano, nesse tempo o líder pode praticar os novos comportamentos que identificou como necessários ao seu melhor exercício da liderança, solidificando o novo estilo de liderança adotado por ele.

*DUTRA, Eliana Glasser. Coaching: o que você precisa saber. Rio de Janeiro: Mauad X, 2010.