terça-feira, 31 de março de 2015

Relato do Parto da Lisa: Parto Normal, em hospital, com bolsa rompida e indução.



30 de dezembro,  aproximadamente meia noite e quinze, estava deitada na cama, com um desconforto um pouco maior do que de costume. Os últimos dias haviam sido puxados, minha família estava em São Paulo para o Natal e havia caminhado bastante, aproveitado os últimos dias para ir em algumas exposições que não queria perder (Ron Mueck, Mafalda e Transarquitetônica), ou seja, passeado bastante. Meu marido, tinha acabado de chegar de vôo (piloto), estávamos deitados e ele fazia um massagem na minha barriga com intuito de relaxar e dormir mais tranquila. Fiquei com a impressão de que fiz xixi e levanto, quando sento no vaso o xixi não pára, falo: Pedro acho que estourou a bolsa!” Ficamos nervosos e surpresos ao mesmo tempo! Chegou a hora, diz meu marido, ela vai nascer! Liga para o Igor (obstetra)! Eu digo, liga você. Ele liga, falo com o obstetra que me orienta dormir, descansar, tomar um banho, café da manhã e ir para o hospital às 6h/7h. Pergunto para o obstetra se posso ir mais tarde, algo me dizia que o tempo seria longo e queria ficar em casa o máximo possível, mas ele me orienta a ir às 7h porque em casos de bolsa rota (rompida) é preciso fazer antibiótico para evitar infecção. Decido acabar de organizar a minha mala e sigo as recomendações do obstetra. Consigo dormir, o Pedro, meu marido não consegue. Acordamos e vamos para o hospital. Chegando lá sou examinada, não tenho contrações, dilatação de 1cm e meio e colo do útero expresso. Recomendação: comprimidos do Misoprostol no colo do útero para afiná-lo e iniciar as contrações. Meu sonho era ter um parto Normal, o máximo natural possível, sem indução, se possível sem anestesia. Converso com o obstetra no telefone e pergunto se é possível esperar, afinal a maioria da mulheres que rompem a bolsa podem entrar em 24h em trabalho de parto. O meu obstetra sabia muito bem o meu desejo e falou que tudo bem, podemos esperar... Sigo fazendo cardiotoco para monitorar os batimentos cardíacos da bebê, fazendo antibiótico e visualizando com todas as minhas forças o início do trabalho de parto, as dores, as contrações... e nada... Já são aproximadamente 3h da tarde e nenhum avanço, continuamos esperando no quarto do hospital. Meu obstetra vai me examinar e recomenda que iniciemos os comprimidos de misoprostol porque serão 4 doses de 6 em 6 horas e se iniciarmos agora o trabalho de parto pode iniciar na manhã do dia seguinte. Concordo com ele e começamos. A noite seguinte é cheia de interrupções, aplicação do misoprostol, cardiotoco (monitoramento dos batimentos cardíacos da bebê), aplicação de antibiótico e uma ultrassonografia (1h do dia 31/12). A ultrassonografia me causa um alívio, como é bom ver minha bebê, mesmo que por uma tela e saber que está tudo bem,  pois já se passaram mais de 24h que minha bolsa rompeu. E  segue-se a noite, dessa vez o Pedro dorme e eu fico focada nos meus pensamentos, rezo, continuo a visualizar as dores chegando... 
4h as contrações iniciam e eu agradeço! Fico monitorando o tempo e as dores, que são leves... Fico aliviada e otimista, tudo indica que a LISA está chegando e não precisarei usar ocitocina. Engano meu, às 8h quando a enfermeira monitora minhas contrações, nada novamente... Sou encaminhada para a sala de pré parto e já me sinto cansada... Meu médico passa ao meio dia para me examinar e conversamos sobre os próximos passos: ocitocina. Quem me conhece e conviveu comigo durante a gravidez sabe o quanto desejava um parto natural e com o mínimo de intervenções possíveis. Nesse momento o que passa pela minha cabeça é: será que parto normal com todas essas intervenções está valendo? Será que não deveria ter escolhido ir para a cesariana? O quanto esse parto é “natural”? Será que a bebê está bem e essa é uma melhor escolha para ela? Mesmo com todas essas dúvidas sigo em frente... Após o almoço começa a indução com ocitocina. Se por um lado eu queria ter ficado mais em casa e ter esperado iniciar o trabalho de parto naturalmente no dia anterior, hoje agradeço por estar em um hospital, sendo cuidada e minha bebê monitorada. As contrações começam de leve, e vão evoluindo... Minha dilatação vai avançando lentamente (talvez para mim, para meu ritmo, para minha expectativa). As dores se intensificam e a dilatação continua pequena, mas aumentando... A enfermeira que me acompanha é uma querida, me transmite muita segurança. Meu marido fica ao meu lado o tempo todo. Tudo isso me dá muita coragem e força. Caminho, caminho, caminho... Dou voltas e voltas pelo centro obstétrico. Uso a minha intuição, agachando, caminhando, parando, escolhendo posições que aliviam minha dor... A água da banheira me ajuda a relaxar e sentir as contrações com suavidade, entro e saio da banheira... Caminho, caminho, caminho... agacho, agacho, agacho... Recebo massagem... Visualizo o parto acontecendo, peço ajuda para Deus, rezo, mentalmente recito alguns mantras que me vem a cabeça e respiro, respiro,  respiro, respiro... Chega uma hora que a dor me faz delirar... Gemo, grito, sem planejar mentalmente, simplesmente acontece... Estou na banheira e não coordeno mais a dor... está insuportável... Penso que não vou dar conta. A ultima vez que a enfermeira examinou a dilatação estava em 6 cm, preciso de 10 cm, sei que a anestesia precisa ser adiada ao máximo. A enfermeira diz: Você está indo bem... agora podemos chamar o anestesista, é para isso mesmo. Aceito a sugestão e continuo na banheira até a chegada do anestesista. Saio da banheira e me disponho a andar mais um pouco antes da anestesia. Vem uma nova contração, desisto! Não aguento mais... não consigo... Continuo recebendo incentivo do meu marido e da enfermeira. Recebo a anestesia. Um alívio, um respiro... Descanso. Me levando e vou para a bola de pilates, precisamos ainda trabalhar na dilatação. Não lembro do tempo, mas no meu tempo parece que passou rápido. Ainda há apreensão, meu médico diz: Tudo indica que vai dar para ser normal. Estou com 8,5 cm e meio de dilatação. Nesse momento, me dá um arrepio e penso: “Já pensou depois de tudo isso virar cesárea?” Não dou conta! Sinto medo! Rezo mentalmente e respiro... continuo meus esforços: Bola, cadeira, agachamento e conversa para aliviar... Passa um tempo (não tenho ideia de quanto tempo, para mim foi rápido, pois não há dor!) Agora é hora da força, a cada contração uma força, às vezes, duas, quando aguento... Quantas vezes? Não tenho a menor ideia, na minha mente uma eternidade. Algumas vezes, o anestesista pergunta se quero mais anestesia, me recuso, quero participar, quero sentir, mesmo que ainda haja dor... É uma dor diferente, uma dor que alivia, uma dor que purifica. Continuo no esforço e a cada esforço sinto minha bebê mais perto de mim, olho para o Pedro (meu marido): ele está com os olhos molhados de lágrimas, me emociono... Agradeço, mentalmente por tê-lo ao meu lado nessa jornada. Sinto muita felicidade e dor! Muita dor! Até que minha filha vem, em questão de segundos, parar nos meus braços. A maior felicidade do mundo! Ela é linda! Sentí-la é algo mágico, maravilhoso! Tudo valeu a pena! Cada dor, cada contração, cada minuto desses dois dias de angústia e apreensão desaparecem como em um passe de mágica! Lisa você chegou!


Agradecimento: Não tenho palavras para agradecer meu obstetra, Igor Padovesi, que honrou meu desejo, preservando e cuidando da vida! À enfermeira, Tatiana, que me fez acreditar na minha força, quando eu estava duvidando ser capaz de avançar. Ao anestesista, que aliviou a dor quando foi preciso, impedindo que eu desistisse do meu plano. Ao meu marido, ao meu amor, ao meu companheiro de jornada de crescimento e evolução nessa vida, Pedro, por apoiar meu sonho e sustentar minha confiança mesmo com todos os seus próprios medos.

2 comentários:

  1. Que felicidade ler esse post, a chegada da minha neném está prevista para julho/16 e meu obstetra também é o Dr. igor. Tb sonho com um parto normal humanizado e ler que o Dr. Igor seguiu com você para que seu parto fosse o mais humanizado possível (dentro das possibilidades), me emociona! Ainda mais hoje que muitos médicos enganam e manipulam as pacientes para uma cesárea desnecessária, busquei o Igor justamente pelas referências na internet, e cada vez que leio um post, tenho mais certeza de que foi Deus quem me orientou a mudar de obstetra, mesmo meu antigo sendo um renomado médico.
    Obrigada por compartilhar sua experiência.
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Que felicidade ler esse post, a chegada da minha neném está prevista para julho/16 e meu obstetra também é o Dr. igor. Tb sonho com um parto normal humanizado e ler que o Dr. Igor seguiu com você para que seu parto fosse o mais humanizado possível (dentro das possibilidades), me emociona! Ainda mais hoje que muitos médicos enganam e manipulam as pacientes para uma cesárea desnecessária, busquei o Igor justamente pelas referências na internet, e cada vez que leio um post, tenho mais certeza de que foi Deus quem me orientou a mudar de obstetra, mesmo meu antigo sendo um renomado médico.
    Obrigada por compartilhar sua experiência.
    Bjs

    ResponderExcluir