30 de dezembro, aproximadamente
meia noite e quinze, estava deitada na cama, com um desconforto um pouco maior
do que de costume. Os últimos dias haviam sido puxados, minha família estava em
São Paulo para o Natal e havia caminhado bastante, aproveitado os últimos dias para
ir em algumas exposições que não queria perder (Ron Mueck, Mafalda e
Transarquitetônica), ou seja, passeado bastante. Meu marido, tinha acabado de
chegar de vôo (piloto), estávamos deitados e ele fazia um massagem na minha
barriga com intuito de relaxar e dormir mais tranquila. Fiquei com a impressão
de que fiz xixi e levanto, quando sento no vaso o xixi não pára, falo: Pedro
acho que estourou a bolsa!” Ficamos nervosos e surpresos ao mesmo tempo! Chegou
a hora, diz meu marido, ela vai nascer! Liga para o Igor (obstetra)! Eu digo,
liga você. Ele liga, falo com o obstetra que me orienta dormir, descansar,
tomar um banho, café da manhã e ir para o hospital às 6h/7h. Pergunto para o
obstetra se posso ir mais tarde, algo me dizia que o tempo seria longo e queria
ficar em casa o máximo possível, mas ele me orienta a ir às 7h porque em casos
de bolsa rota (rompida) é preciso fazer antibiótico para evitar infecção.
Decido acabar de organizar a minha mala e sigo as recomendações do obstetra.
Consigo dormir, o Pedro, meu marido não consegue. Acordamos e vamos para o
hospital. Chegando lá sou examinada, não tenho contrações, dilatação de 1cm e
meio e colo do útero expresso. Recomendação: comprimidos do Misoprostol no colo
do útero para afiná-lo e iniciar as contrações. Meu sonho era ter um parto
Normal, o máximo natural possível, sem indução, se possível sem anestesia.
Converso com o obstetra no telefone e pergunto se é possível esperar, afinal a
maioria da mulheres que rompem a bolsa podem entrar em 24h em trabalho de
parto. O meu obstetra sabia muito bem o meu desejo e falou que tudo bem,
podemos esperar... Sigo fazendo cardiotoco para monitorar os batimentos
cardíacos da bebê, fazendo antibiótico e visualizando com todas as minhas
forças o início do trabalho de parto, as dores, as contrações... e nada... Já
são aproximadamente 3h da tarde e nenhum avanço, continuamos esperando no
quarto do hospital. Meu obstetra vai me examinar e recomenda que iniciemos os
comprimidos de misoprostol porque serão 4 doses de 6 em 6 horas e se iniciarmos
agora o trabalho de parto pode iniciar na manhã do dia seguinte. Concordo com
ele e começamos. A noite seguinte é cheia de interrupções, aplicação do
misoprostol, cardiotoco (monitoramento dos batimentos cardíacos da bebê),
aplicação de antibiótico e uma ultrassonografia (1h do dia 31/12). A
ultrassonografia me causa um alívio, como é bom ver minha bebê, mesmo que por
uma tela e saber que está tudo bem, pois já se passaram mais de 24h
que minha bolsa rompeu. E segue-se a noite, dessa vez o Pedro dorme e
eu fico focada nos meus pensamentos, rezo, continuo a visualizar as dores
chegando...
4h as contrações iniciam
e eu agradeço! Fico monitorando o tempo e as dores, que são leves... Fico
aliviada e otimista, tudo indica que a LISA está chegando e não precisarei usar
ocitocina. Engano meu, às 8h quando a enfermeira monitora minhas contrações, nada
novamente... Sou encaminhada para a sala de pré parto e já me sinto cansada...
Meu médico passa ao meio dia para me examinar e conversamos sobre os próximos
passos: ocitocina. Quem me conhece e conviveu comigo durante a gravidez sabe o
quanto desejava um parto natural e com o mínimo de intervenções possíveis.
Nesse momento o que passa pela minha cabeça é: será que parto normal com todas
essas intervenções está valendo? Será que não deveria ter escolhido ir para a
cesariana? O quanto esse parto é “natural”? Será que a bebê está bem e essa é
uma melhor escolha para ela? Mesmo com todas essas dúvidas sigo em frente...
Após o almoço começa a indução com ocitocina. Se por um lado eu queria ter
ficado mais em casa e ter esperado iniciar o trabalho de parto naturalmente no
dia anterior, hoje agradeço por estar em um hospital, sendo cuidada e minha
bebê monitorada. As contrações começam de leve, e vão evoluindo... Minha
dilatação vai avançando lentamente (talvez para mim, para meu ritmo, para minha
expectativa). As dores se intensificam e a dilatação continua pequena, mas
aumentando... A enfermeira que me acompanha é uma querida, me transmite muita
segurança. Meu marido fica ao meu lado o tempo todo. Tudo isso me dá muita
coragem e força. Caminho, caminho, caminho... Dou voltas e voltas pelo centro
obstétrico. Uso a minha intuição, agachando, caminhando, parando, escolhendo
posições que aliviam minha dor... A água da banheira me ajuda a relaxar e
sentir as contrações com suavidade, entro e saio da banheira... Caminho,
caminho, caminho... agacho, agacho, agacho... Recebo massagem... Visualizo o
parto acontecendo, peço ajuda para Deus, rezo, mentalmente recito alguns
mantras que me vem a cabeça e respiro, respiro, respiro, respiro...
Chega uma hora que a dor me faz delirar... Gemo, grito, sem planejar
mentalmente, simplesmente acontece... Estou na banheira e não coordeno mais a
dor... está insuportável... Penso que não vou dar conta. A ultima vez que a
enfermeira examinou a dilatação estava em 6 cm, preciso de 10 cm, sei que a
anestesia precisa ser adiada ao máximo. A enfermeira diz: Você está indo bem...
agora podemos chamar o anestesista, é para isso mesmo. Aceito a sugestão e
continuo na banheira até a chegada do anestesista. Saio da banheira e me
disponho a andar mais um pouco antes da anestesia. Vem uma nova contração,
desisto! Não aguento mais... não consigo... Continuo recebendo incentivo do meu
marido e da enfermeira. Recebo a anestesia. Um alívio, um respiro... Descanso.
Me levando e vou para a bola de pilates, precisamos ainda trabalhar na
dilatação. Não lembro do tempo, mas no meu tempo parece que passou rápido.
Ainda há apreensão, meu médico diz: Tudo indica que vai dar para ser normal.
Estou com 8,5 cm e meio de dilatação. Nesse momento, me dá um arrepio e penso:
“Já pensou depois de tudo isso virar cesárea?” Não dou conta! Sinto medo! Rezo
mentalmente e respiro... continuo meus esforços: Bola, cadeira, agachamento e
conversa para aliviar... Passa um tempo (não tenho ideia de quanto tempo, para
mim foi rápido, pois não há dor!) Agora é hora da força, a cada contração uma
força, às vezes, duas, quando aguento... Quantas vezes? Não tenho a menor
ideia, na minha mente uma eternidade. Algumas vezes, o anestesista pergunta se
quero mais anestesia, me recuso, quero participar, quero sentir, mesmo que
ainda haja dor... É uma dor diferente, uma dor que alivia, uma dor que
purifica. Continuo no esforço e a cada esforço sinto minha bebê mais perto de
mim, olho para o Pedro (meu marido): ele está com os olhos molhados de
lágrimas, me emociono... Agradeço, mentalmente por tê-lo ao meu lado nessa
jornada. Sinto muita felicidade e dor! Muita dor! Até que minha filha vem, em
questão de segundos, parar nos meus braços. A maior felicidade do mundo! Ela é
linda! Sentí-la é algo mágico, maravilhoso! Tudo valeu a pena! Cada dor, cada
contração, cada minuto desses dois dias de angústia e apreensão desaparecem
como em um passe de mágica! Lisa você chegou!
Agradecimento: Não tenho
palavras para agradecer meu obstetra, Igor Padovesi, que honrou meu desejo,
preservando e cuidando da vida! À enfermeira, Tatiana, que me fez acreditar na
minha força, quando eu estava duvidando ser capaz de avançar. Ao anestesista,
que aliviou a dor quando foi preciso, impedindo que eu desistisse do meu plano.
Ao meu marido, ao meu amor, ao meu companheiro de jornada de crescimento e
evolução nessa vida, Pedro, por apoiar meu sonho e sustentar minha confiança
mesmo com todos os seus próprios medos.


Que felicidade ler esse post, a chegada da minha neném está prevista para julho/16 e meu obstetra também é o Dr. igor. Tb sonho com um parto normal humanizado e ler que o Dr. Igor seguiu com você para que seu parto fosse o mais humanizado possível (dentro das possibilidades), me emociona! Ainda mais hoje que muitos médicos enganam e manipulam as pacientes para uma cesárea desnecessária, busquei o Igor justamente pelas referências na internet, e cada vez que leio um post, tenho mais certeza de que foi Deus quem me orientou a mudar de obstetra, mesmo meu antigo sendo um renomado médico.
ResponderExcluirObrigada por compartilhar sua experiência.
Bjs
Que felicidade ler esse post, a chegada da minha neném está prevista para julho/16 e meu obstetra também é o Dr. igor. Tb sonho com um parto normal humanizado e ler que o Dr. Igor seguiu com você para que seu parto fosse o mais humanizado possível (dentro das possibilidades), me emociona! Ainda mais hoje que muitos médicos enganam e manipulam as pacientes para uma cesárea desnecessária, busquei o Igor justamente pelas referências na internet, e cada vez que leio um post, tenho mais certeza de que foi Deus quem me orientou a mudar de obstetra, mesmo meu antigo sendo um renomado médico.
ResponderExcluirObrigada por compartilhar sua experiência.
Bjs