segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Índia Parte 2 - Rishkesh e o retorno!

-->Tem aproximadamente 25 dias que voltei da Índia e não tinha conseguido parar para processar um pouco sobre essa experiência tão tocante e profunda... Assim resolvi escrever sobre a continuação do último posting que escrevi em Varanasi.
Depois do impacto que foi estar em Varanasi, voltamos para Delhi, dormimos uma noite e partimos para Rishikesh, conhecida mundialmente como a capital do Yoga.
Chegar em Rishikesh foi para mim como voltar a respirar, foi como chegar em casa... Não havia saído da Índia, não estava no Brasil, mas me senti como se estivesse muito perto de mim mesma... Aqui o Ganges é limpo e transparente (continua frio, mesmo assim me animei entrar e foi ótimo!)
Rishikesh é cheia de escolas de Yoga, Asharans e uma atmosfera tranquila, serena e pacífica... Passei uma semana praticando Yoga em diferentes escolas, andando sozinha na rua, indo e vindo... Foi lá e depois chegando no Brasil que me dei conta de pequenas coisas que hoje posso sentir gratidão, talvez, alguns de vocês, considerem isso pouco para sentir gratidão. Porém, quando temos nossos simples direitos tolidos acabamos sentindo muita gratidão por muito pouco. Em Rishikesh eu senti segurança para andar na rua, interagir com as pessoas, passear... Quando cheguei no Brasil fiquei feliz por poder andar no meu bairro à noite, usar shorts e olhar para as pessoas nos olhos sem me sentir intimidada.
Muitas pessoas me perguntam: Por que você foi para a Índia? Mas com toda essa pobreza e privação onde está a espiritualidade? Outros falam... nossa que coisa horrível como pode ter algo sagrado em um lugar desse tipo... Minha resposta é NÃO SEI!!! NÃO SEI!!! NÃO SEI!!! Mas o pior, ou melhor, há! Há algo muito forte, talvez no ar que respiramos lá, na água contaminada que bebemos, nas pessoas... não sei a resposta... bem que gostaria... Acho que vou precisar voltar para entender, mas tem algo muito forte que tocou profundamente meu coração e está fazendo um rebuliço interno, algo que não sei dizer porque e nem de onde vem, mas que tem me feito pensar e repensar minhas ações e escolhas todos os dias. Do fundo do meu coração espero e rezo para que esse “algo” permaneça vivo em mim e que faça da minha vida algo válido e significativo... Esse algo forte dentro de mim tem me dito fortemente que esse modelo que vivemos baseado nas relações de competição e ganha perde não se sustenta, não sei a resposta, mas tenho certeza que não é esse mundo que quero apresentar para meus filhos viverem! Vamos construir juntos outra possibilidade? Que tal? 



Créditos das Fotos: Ludimila Agra

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