O título deste post é um trecho da música “Bom conselho” de Chico Buarque, em que ele descontrói de maneira criativa e provocadora alguns dos nossos conhecidos ditos populares...
Esta frase, cujo conteúdo pode gerar estranhamento, deve parecer especialmente descontextualizada quando o objetivo é falar sobre processos de planejamento estratégico.
No planejamento empresarial, não deveríamos nos comportar de forma exatamente oposta à que nos aconselha Chico Buarque? Não deveríamos nos debruçar exaustivamente sobre cada alternativa estratégica antes de agirmos? Não.
Pelo menos é isto que que nos propõe Henry Mintzberg, um dos mais respeitados pensadores em Estratégia Empresarial. Mintzberg defende não só a validade, mas também o enorme valor das estratégias não planejadas, não pensadas... aquelas que simplesmente acontecem, emergem ao longo do processo...
As “estratégias emergentes” são, segundo o autor, aquelas que apresentam o maior potencial para levar a empresa à inovação. Isto porque envolvem um processo de maior experimentação e abertura ao novo.
Mintzberg defende a não distinção entre o agir e o pensar. A reflexão não deve preceder a ação, mas ocorrer de forma simultânea à ela. Ou até de forma inversa – como nos aconselha Chico –, em que a ação inspire a reflexão.
O processo de agir e pensar simultaneamente é, portanto, o motor do aprendizado estratégico e, consequentemente, da inovação. No limite, a estratégia pode ser inclusive construída de forma retrospectiva. Ao observar minhas ações, reconheço nelas uma estratégia valiosa, inovadora.
Mas como minimizar os riscos que o conselho de Chico parecem trazer, especialmente no contexto empresarial?
Dentro das ações não planejadas, das experimentações, a melhor forma de assegurar que elas de alguma forma contribuirão para o crescimento organizacional é certificar-se que estas ações estejam alinhadas à identidade da organização, seus princípios e sua razão mais profunda de existir.
Nesta lógica, o caminho para a inovação está muito mais próximo do despreendimento e da ousadia – associados ao auto-conhecimento – do que do planejamento formal.
*Pedro Zanni é graduado em Administração de Empresas (FGV-EAESP), é Mestre em Administração de Empresas (FGV-EAESP) com foco em Estratégia Empresarial. É professor do Programa de Educação Continuada da FGV-EAESP, do MBA da Business School São Paulo (BSP) e da Faculdade de Administração de Empresas da FAAP. Atua como consultor de empresas, tendo participado ativamente em projetos de Estratégia Empresarial, em empresas de grande porte de diversos setores.

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