
“Para mim a vida particular e a pública são iguais. Minha vida é minha vida no show de Truman. O Show de Truman é um estilo de vida.”
(Maryl – esposa de Truman)
Assim começa o filme O show de Truman, o show da vida – estrelado por Jim Carrey em 1998. O filme retrata a vida de um homem que pensa viver em uma cidade “normal” e levar uma “vida normal”, quando na verdade sua vida é um grande reality show. Um filme altamente filosófico e cheio de significados, que já abordava o fenômeno da mídia, da vigilância e da distinção entre o público e o privado antes mesmo do fenômeno Big Brother explodir mundo afora.
Quando vi este filme pela primeira vez, pensei – “nossa, será que um dia isso vai mesmo acontecer? Como seria o mundo se vivêssemos com câmeras espalhadas por todos os lados controlando nossas vidas?”
Pouco mais de uma década se passou e hoje percebo que estamos vivendo em um grande Big Brother. A internet e as redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter, Flickr e tantos outros nos mostram que a vida privada e a pública caminham para ser uma coisa só.
Mesmo que você não queira se expor e que seu estilo de vida seja mais preservado, você também está no Big Brother! A Receita Federal controla seus dados, seu CPF indica onde você fez compras, o GPS indica sua localização, o satélite mostra como está seu bairro, sua casa, a fachada da sua loja....
Um dia você estava em um happy hour, tomando uma inocente cerveja com os amigos. Alguém registra este momento em uma foto, posta no Facebook, coloca um tag com seu nome e... pronto: você está na rede! Já vi até uma campanha publicitária onde os banheiros químicos de uma festa indicavam se você estava fazendo suas necessidades básicas em pé ou sentado!
Isto sem considerar as pessoas que por livre e espontânea vontade compartilham suas vidas nas redes sociais, exibindo suas fotos, seus vídeos, pensamentos e textos.
Este é o momento que estamos vivendo em nossa sociedade. E como todo fenômeno cultural tem seus aspectos positivos e negativos. Como pontos negativos, poderia citar o excesso de exposição, o controle e a vigilância, a legislação precária para regulamentar a internet, a rapidez com que a reputação de uma pessoa ou empresa pode ser destruída. Como pontos positivos, temos a facilidade de conexão e interação entre as pessoas, o fenômeno das redes para difundir boas idéias pelo mundo, a possibilidade de compartilhar sem fronteiras, entre tantos outros.
Porém, dentre todos estes aspectos, o que mais me chama a atenção é a coerência entre os diversos papéis que ocupamos na vida – alinhamento entre discurso e prática, entre o que digo e o que faço. A vida em rede nos leva a buscar alinhamento e coerência, afinal, está tudo ali exposto, todos podem buscar meu nome no Google e ver o que tenho feito, quem são meus amigos e de que redes participo. Coerência – a meu ver, um grande ganho para nossa humanidade.

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