
Cada dia encontramos mais estrangeiros expatriados no Brasil e brasileiros Expatriados no exterior, pensando nisso, convidei uma amiga recém chegada no Brasil e especialista o assunto, a Fernanda Azevedo autora do Blog http://interculturas-consulting.blogspot.com/ irá nos contar um pouquinho dos dilemas que envolvem a mudança de País.
Não é de hoje que ouvimos falar de globalização. Evoluímos mais em duas décadas as descobertas tecnológicas e científicas do que nossos antepassados fizeram em séculos, jamais presenciamos tamanha velocidade à forma que o mundo se desenvolve .
Com tanta tecnologia e trocas econômicas internacionais temos a impressão que as fronteiras entre os países diminuem. O acesso entre as diferentes nações em todos os continentes do mundo está mais fácil e viável. Dentro desta perspectiva algo é inevitável: as mudanças de cidades, estados e países entre as pessoas, por motivos tanto no plano profissional quanto pessoal.
No entanto, pouco estudamos e pouco falamos sobre a relação subjetiva daquele que se muda. Toda mudança, seja ela qual for, provoca sentimentos ambíguos, muitas vezes, repletos de incertezas e desconfortos.
Imaginem uma criança com um mundo cheio de descobertas à sua frente. Tudo é motivo para porquês e como que uma obrigação de achar respostas para as tais cruciais perguntas.
Pois o homem na condição de estrangeiro se assemelha muito à essa situação. Ele é confrontado o tempo todo com o novo e a estranha sensação de não compreender o mundo em que ele vive.
Assim podemos tentar nos colocarmos no lugar de um expatriado e sua família que chega ao novo país. Muitas vezes ele não recebe nenhum tipo de apoio, nem preparação para enfrentar a nova condição. Por mais informações que temos sobre o mundo, sobre os países em geral, nada se assemelha ao fato de viver e presenciar esta nova situação. Informação e experiência estão longe de serem a mesma coisa.
Sabemos hoje que 30% das expatriações são verdadeiras catástrofes. A falta de preparo e de um trabalho de apoio e acompanhamento desses expatriados leva ao sentimento de solidão e confusão de seu papel na sociedade que ele acaba de adentrar.
No seu país ele sabe quem ele é, conhece o seu valor e tem seus pontos referenciais. Uma vez que chega ao novo país, por um tempo inicial, tudo o que para ele tinha um significado, um motivo, uma explicação, torna-se desconhecido, sem compreensão e fora do seu alcance.
Além do que, as equipes e pares de trabalho com quem o estrangeiro vai passar a maioria de seu tempo não estão preparados para recebê-los. Estereótipos e preconceitos atravessam o trabalho de forma indevida, prejudicando muitas vezes a realização das tarefas.
Não podemos esquecer que empresas são constituídas de fator humano. Temos que levar em conta que além de gerente, diretor, ou colaborador o empregado tem uma identidade: é brasileiro, americano, chefe de família, vai à igreja todos os domingos, ou gosta de ver seu time do coração jogar no estádio.
Como tirar esses pontos de referência de uma pessoa uma vez que chega a segunda-feira?
-Impossível!
E é por isso que a questão cultural e sobre tudo Intercultural deve ser considerada no mundo corporativo.
Através deste viés novas disciplinas estão atentas a estas preocupações e já estão pensando e realizando um trabalho junto a essas famílias e equipes de trabalho. Muitos já perceberam que a chave do negocio é um trabalho de integração: cultural, social e linguística. A certeza também que sua família esta sendo levada a serio e que ele não esta sozinho nesta nova empreitada é fundamental para o sucesso de uma expatriação.
O custo de uma má preparação é muito alto para as empresas e para seus executivos pagarem. Estamos falando do custo principal, que vai além de cifras, conversões monetárias e transações econômicas é o custo da subjetividade de cada ser envolvido, o bem-estar dentro e fora do mundo do trabalho, e isso não deixa ninguém de fora.
O business internacional não é mais uma questão de “isso a gente da um jeito”, ou é “com o tempo” isso se resolve”. Todos sabemos que neste mundo o “jeitinho” não tem vez, o negocio é profissionalismo! E que tempo, tempo é precioso, e não se tem tempo para perder!