segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Como a CNV pode auxiliar o coaching a praticar a Escuta Ativa? por Flávia Feitosa*

A prática da Comunicação Não-Violenta (CNV) tem forte relação com várias competências em coaching, sendo a Escuta Ativa uma delas. A Escuta Ativa pressupõe que o coach concentre-se no que o cliente está dizendo e entender o significado, para o coachee, daquilo que ele diz. Isto implica em compreender o que está sendo dito de uma forma especial, que se dá a partir da posição do cliente e dos seus desejos. Para isso, é necessário dar apoio para que o cliente se expresse plenamente, o que só acontece quando ele percebe esse espaço de escuta genuína. 
A prática da CNV, de forma didática, pode ser dividida em 4 passos, começando no não julgamento e passando pelos sentimentos, reconhecimento das necessidades e a realização de pedidos. A prática de todas essas etapas pode contribuir com o desenvolvimento do profissional coach em sua relação com o coachee.
Começando pelo não julgamento, quando o praticamos, damos espaço para escutarmos o que é verdadeiro para o cliente ao invés de dar ouvidos às nossas interpretações do que está acontecendo. Sempre temos clientes que apresentam questões que ecoam com coisas que também nos mobilizam. Por exemplo, sempre que atendo mulheres e mães, surgem as questões da disponibilidade de tempo para a família e os filhos. Mas, apesar das questões serem parecidas, o que mobiliza ou chateia cada uma dessas mulheres, não é sempre a mesma coisa que a mim. Por isso, é preciso estar muito atenta aos fatos, sentimentos e necessidade, e seus significados, a partir do olhar do cliente e evitar confundir com o que eu valorizo ou não.
Um aprendizado da CNV que contribui para a escuta ativa no processo de coaching é explorar os sentimentos e as necessidades. Na CNV usamos muito a expressão “onde há fumaça, há fogo”, fazendo referência à fumaça como o sentimento e ao fogo como as necessidades. Para a CNV os sentimento são pistas para verificarmos quais as necessidades que estão sendo atendidas ou não. Então, explorar com o coachee como ele está se sentindo e como isso se manifesta no seu corpo, ajuda a ampliar a conexão da pessoa com o impacto das situações na sua vida e o que isso representa para ela. E, por consequência, abrimos um espaço muito importante para falar sobre que necessidade ou valor que está ou não sendo atendido na situação trazida. Muitas vezes o coachee trás sua questão, mas não consegue se aprofundar facilmente nela. Mas, quando perguntamos como ele está se sentindo, vem uma explosão de sentimentos. A compreensão desses sentimentos nos presenteia com o que há de mais profundo nas pessoas, as necessidades ou seus valores, isto é, aquilo que de fato os mobiliza. Quer coisa mais importante do que se aproximar dos valores do seu coachee? Há coisa mais importante do que compreender o que é importante para ele e na visão dele?

*Coach e psicóloga com doutorado e mestrado em Psicologia Social (USP e LSE – University of London) e formações em coaching pela SBD, Ecosocial e PROFIT. É também professora universitária na ESPM e FGV. Tem 15 anos de experiência como executiva no mercado educacional e 10 anos como coach e consultora. Seu propósito: ser uma operária do desenvolvimento humano por intermédio do trabalho com indivíduos, grupos e organziações.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Qual a relação de CNV - Comunicação Não Violenta e Coaching? por Camila Bonavito*

SER COACH
A capacidade de ser um profissional íntegro é bem  vinda em qualquer atividade, mas, em coaching, a forma como vivemos nossa vida parece ter uma correlação maior com nosso estilo no trabalho e nosso desempenho profissional. Integridade é a capacidade de agir conforme o que se acredita e se “prega”, ou se fala. É a capacidade de viver uma vida plena e saudável. Entre as definições de integridade, aparece ainda a capacidade de estar completo e inteiro, o que, de certa forma, está alinhado com o meu entendimento informal (Michaelis, 2016). Alguns diriam que caberia melhor, nesse caso, o conceito de coerência, descrito na mesma fonte como conexão, harmonia e aderência entre diversas partes. Dessa forma, agregando integridade e coerência, contempla-­‐se essa dimensão integral, do desafio de ser coach! É difícil acreditar em um dermatologista que não cuida da própria pele ou em um personal trainer descuidado com sua forma física, não é mesmo? E nós, coaches, do que devemos cuidar em nós mesmos? A partir dessa dialógica, poderiam emergir respostas distintas, dependendo das bases conceitual e filosófica nas quais se apoia cada profissional coach, ou, em especial, de subjetividades e personalidades próprias. Independente dessas individualidades, como coaches, sabemos da importância inquestionável do autoconhecimento para aumentar a capacidade de tomar decisões e obter resultados sustentáveis. Abordagens, todas elas, envolvem responsabilização, protagonismo e ações concretas.
VIVENDO OS PRINCÍPIOS DA CNV
A Comunicação Não Violenta (CNV) é uma forma legítima de contribuição para o desenvolvimento de coaches. O que a CNV nos apresenta vai muito além de uma nova forma de se comunicar que passa por alguns passos: (1) observar sem julgar; (2) reconhecer sentimentos; (3) entender necessidades; (4) fazer pedidos. O que de fato acontece praticando CNV é um mergulho profundo sobre quem somos, uma mudança de olhar sobre o mundo, o “outro” e o que podemos fazer para buscar uma vida mais plena. A CNV nos convida a ter relações mais autênticas e empáticas, o que, de muitas formas, aumenta a conexão com nossa essência e nossa capacidade se relacionar compassivamente e até assertivamente com o mundo (pessoas).
CONECTANDO COM A PRÁTICA
Quando desenvolvemos um programa de educação continuada para coaches, o CNV4coaches, baseado na CNV, essa prática já fazia parte de muitas esferas de nossas vidas. A CNV nos ofereceu um arcabouço onde amparamos a nossa prática de coaching. Ela se aplica de maneira orgânica em três dimensões fundamentais: (1) O COACH; (2) O COACHEE; (3) O PROCESSO DE COACHING. Isso quer dizer que podemos vivenciar o processo internamente – na construção da atitude coach (1), de maneira interpessoal, apoiando a relação com nossos clientes (2) – e externamente, como uma ferramenta de coaching (3). Outra forma de conectar CNV com Coaching é olhando para as competências essenciais em coaching que permeiam as dimensões acima apresentadas. Tudo o que se pratica em CNV, de alguma forma, facilita a prática e se conecta com uma ou mais competências em coaching. A Presença, a Escuta Ativa e a Comunicação Direta são tão marcantes, que foram escolhidas para aprofundar os nossos estudos.
Nosso convite é que você experimente o processo da CNV e construa, a partir da sua ótica pessoal, a melhor forma de explorar seus benefícios. Em breve publicaremos novos artigos sobre cada uma das competências mencionadas.
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 *Administradora de Empresas com 15 anos de experiência no mundo corporativo. Cursando MBA em Liderança e Gestão de Pessoas na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Formada em Executive & Life Coaching pela ICI-Integrated Coaching Institute e pelo The Inner Game International School of Coaching. Formação em Facilitação Criativa pela PYE-Partner for Youth Empowerment. Membro da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP). Qualificada no instrumento de diagnostic MBTI-Myers Briggs Type Indicator. Participou do “Human Talents & Marketing for the 21st Century” na Univertity of Central Florida. Experiência como coach de executivos nas instituições Monavie, Ambev, Banco UBS, Banco Itaú Unibanco, BTG, Pactual, Neuen Design, Caixa Econômica Federal, Cerveira Advogados, United Way, Instituto Fazendo História. Sócia fundadora do CNV4coaches, programa de educação continuada para coaches, credenciado pela ICF. Experiência em condução de workshops e treinamentos para empresas de diversos segmentos em várias capitais do Brasil.