domingo, 3 de abril de 2016

“Sustentabilidade é um desafio para o RH ou o RH é um desafio para a sustentabilidade?”

Hoje tive o privilégio de assistir uma palestra na ABRH SP da consultora Denise Asnis com o título “Sustentabilidade é um desafio para o RH ou o RH é um desafio para a sustentabilidade?”

                                  “É preciso sair da ilha para ver a ilha
                                  Não vemos se não sairmos de nós.” Saramango

Dentre tantas reflexões a que mais me tocou foi:  “o RH não reflete sobre como está fazendo o que está fazendo.” Diria que esse não é somente um desafios de RH, mas um desafio de todos os grupo. Não tenho como não relembrar o que aprendi com uma das minhas autoras favoritas Fela Moscovisci. A Fela em um seus livros menciona sobre a importância das equipes pararem o que estão fazendo com o objetivo de avaliar como estão fazendo. Olharem para o processo de trabalho e não para a tarefa em si. Segundo ela, uma das grandes tarefas de um líder é parar e proporcionar isso às suas equipes. Como estamos indo? O que está funcionando? Como poderíamos melhorar? O que eu acho e valorizo é isso. O que vocês valorizam? Por mais simples que pareça, é pouco frequente esse comportamento dentro das organizações e dos grupos. RH, sim, deveria ser o modelo! Por que será que não é? Talvez essa seja uma pergunta complexa. Pode ser porque tem muitos projetos. Pode ser porque está atolado em indicadores. Pode ser porque não pára para pensar sobre como está fazendo o que está fazendo. E aqui, podemos seguir com um a longa lista. Porém, olhando para o futuro, vamos entender como o RH pode contribuir para essa tal sustentabilidade tão comentada nos dias de hoje.

Se formos falar sobre o que é sustentabilidade o diálogo é muito amplo e cabe muita coisa dentro dele. Sustentabilidade ambiental, econômica, social. Podemos falar do aquecimento global, do consumo, de quanto o planeta não comporta o nosso estilo de vida. No entanto, se fizermos um pequeno recorte e priorizarmos o aspecto social, enquanto área de RH que cuida do que é humano, já temos uma longa e árdua lição de casa para implementar. Como começar? Um bom começo, segundo a palestrante, seria começarmos pelos 17 indicadores de desenvolvimento a seguir. Vou fazer o que foi feito na palestra, olhar alguns indicadores e verificar o que poderiam ser reflexões/práticas da área de RH:


  •         Erradicação da pobreza – que tal refletir qual a proporção do maior salário pago (presidente) para o menor. O maior é 400X o menor? Parece que diz algo sobre esse indicador.
  •         Educação de qualidade – não é nem preciso explicar que esse indicador é totalmente relacionado com a área de Recursos Humanos.
  •         Igualdade de Gênero - Há salários diferentes entre homens e mulheres? Como está o índice de mulheres e homens em cargos de liderança?

Que tal refletir com seu presidente os indicadores e relacionar às práticas de sua organização? O mundo está em plena transformação e isso se reflete diretamente na relações empresarias. Antigamente o modelo organizacional era de comando e controle (Manda quem pode obedece quem precisa). Depois migramos para um modelo de trocar obrigação por dinheiro. Atualmente, estamos caminhando para um modelo de visão compartilhada, onde as pessoas dizem o que querem e o que não querem em uma relação de trabalho, as pessoas desejam fazer ou não fazer parte de determinada organização. Será que sua empresa é uma empresa que está preparando-se para esse novo modelo de relações de trabalho? Seu RH está conectado com o que há de novo e está pensando sobre como poderia fazer recrutamento e seleção de forma diferente? Ou ele continua recrutando da mesma forma que fazíamos há anos atrás?


Espero ter desafiado a vocês pensarem sobre esse tema, como me senti desafiada ao ouvir a Denise nesta quinta feira.