quinta-feira, 8 de julho de 2010

Competência, você sabe o que é? Competente, você sabe se é?



Texto de Raquel Cartolari Ortega, participante do Grupo de Estudos Equipes Dão Certo da ABRH SP.

Antes de compreender o significado da expressão competência muito utilizada hoje nas organizações, é importante resgatar e refletir sobre a origem da palavra e sua aplicação no passado.

No final da Idade Média, o termo competência era utilizado basicamente como linguagem jurídica, pois seu significado remetia estritamente à faculdade dada a uma pessoa (ou instituição) para apreciar ou julgar certas questões. Mais tarde o termo passou a indicar reconhecimento social sobre a capacidade de alguém para se pronunciar sobre determinado assunto, ou realizar certo trabalho.
O uso frequente do termo competência no ambiente organizacional lhe atribuiu variadas conotações, contudo, a que pretendemos tratar aqui é o conceito do “CHA”, muito empregado por gestores de RH em processos de recrutamento e seleção.
A sigla CHA é a abreviação de:

Conhecimento = Saber | Habilidade = Fazer | Atitude = Querer

O conhecimento refere-se ao saber que a pessoa acumulou ao longo de sua vida e está relacionado a informações, conceitos e idéias integrados por ela em sua memória. A habilidade está relacionada à capacidade da pessoa em utilizar o conhecimento armazenado em uma ação, enquanto que a atitude diz respeito à predisposição da pessoa em realizar algo, ou seja, em querer fazer.
Sob esta ótica, entende-se por competência a combinação sinérgica entre conhecimentos, habilidades e atitudes, necessários para o exercício de determinada atividade.

As competências humanas são reveladas quando as ações do profissional fazem a ligação entre a sua conduta individual e a estratégia da organização, agregando valor para ambos. Essa contribuição para a consecução dos objetivos organizacionais, por sua vez, expressa reconhecimento social sobre sua capacidade.

Para compreender como isso funciona na prática, podemos tomar um exemplo simples e cotidiano da indústria de serviços, onde o grau de exigência na qualidade do atendimento ao cliente é altíssimo. Os empregados são cobrados para atender o cliente com receptividade e cortesia visando superar suas expectativas. No entanto, o que é indispensável para que este empregado desempenhe bem esta tarefa, aparentemente simples?
Ele deverá mobilizar conhecimentos sobre os serviços da empresa, rotinas e processos, habilidade para argumentar e comunicar-se de forma clara com o cliente, além de ter uma predisposição positiva (atitude), manifestando receptividade e cortesia.

A ausência de algum desses elementos certamente tornará o resultado da ação ineficiente e seu desempenho não estará alinhado aos objetivos da empresa. Logo, o empregado será considerado inadequado ao cargo, ou “incompetente” (como se costuma rotular de forma pejorativa).

O inverso também é verdadeiro. O desempenho do profissional que faz uso de todos estes recursos será diferenciado e agregará valor à organização. Consequentemente ele obterá reconhecimento por sua capacidade ou potencial.
Tal exemplo aplica-se a qualquer área de atuação. Não há mais espaço no mercado para profissionais muito bons tecnicamente, mas incompletos sob a ótica do CHA. O perfil de profissional que as organizações buscam é, sem dúvida, os que estiverem mais bem preparados, do ponto de vista técnico e comportamental.

Cabe, portanto, ao profissional que deseja planejar sua carreira, fazer continuamente uma auto-análise para detectar os pontos que precisam ser ainda aprimorados.

Se você já possui bons conhecimentos técnicos para o pleno exercício de sua função, ótimo! Mas procure desenvolver outras áreas como liderança, inteligência emocional ou capacidade para administrar pessoas e conflitos, por exemplo.

Após conhecer o conceito do CHA, verifique as reais possibilidades de crescimento do mercado e posicione-se para alcançar uma melhor performance. Você já sabe que será sempre avaliado sob estes três pontos: conhecimentos, habilidades e atitudes.
Não deixe para depois! Comece hoje mesmo a planejar sua carreira!
O seu desenvolvimento e, consequentemente sucesso, dependem exclusivamente de você!

Isso também é competência!

Raquel Cartolari Ortega


Fonte: CARBONE, Pedro Paulo; BRANDÃO, Hugo Pena; LEITE, João Batista Diniz;
VILHENA, Rosa Maria. Gestão por competências e gestão do conhecimento.
Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas – FGV, Série Gestão de Pessoas, 2005.

Nenhum comentário:

Postar um comentário