Aqui estou 20h50, depois de um dia longo e de muito
trabalho. Acordei às 6h30, amamentei, fiz ioga (porque meu marido ficou com a
minha filha mais nova para que eu pudesse me alongar um pouco – minhas costas
estão muito doloridas dessa jornada diária amamentando), levei a Lisa (mais
velha na pracinha), voltei às 12h, amamentei, cozinhei (tenho ajuda, estava
tudo picadinho, mas queria fazer o risoto que a Lisa tinha me pedido ontem),
dei banho/tomei banho junto com a mais velha, brinquei, amamentei, amamentei
denovo, brinquei, dei jantar, dei banho, amamentei denovo, coloquei as duas
para dormir. E aqui estou, na frente do computador pensando: será que respondo
aqueles e-mails esquecidos na caixa de entrada? Medito? Estudo o PPT para o workshop
de terça e quarta feira? Ou será que escrevo para o CFO que tive uma reunião na
última quarta feira? E enquanto estou decidindo, estou com sono... e mais
sono... e penso, deveria estar dormindo, daqui um pouco a Maria acorda para
mamar DENOVO... rsrsrs
Voltei a atender um coachee que estava precisando muito
quando a Maria tinha um mês. Ela está com dois e meio e já divulguei um curso
aberto que minha sócia entregou semana passada (muitíssimas mensagens de
whatsapp enquanto amamentava), fiz várias reuniões por Skype com minha sócia,
algumas conversas com clientes, escrevi uma proposta, apresentei e terça e
quarta entregarei 16h de treinamento. Respiro fundo e sigo como dá, acho que
como dá é o melhor que posso fazer nesse momento.
Me perguntaram recentemente se eu fico me sentindo mal,
ansiosa por deixar a Maria. A resposta foi: Não, estou bem. Quer dizer, não estou 100%, estou sempre cansada, mas
estou feliz. Estou feliz porque trabalhar me faz feliz. Recentemente li em um
grupo desses de 1.000.000 de comentários: “Não gosto de brincar com meus
filhos, acho um saco, gosto muito mais de trabalhar. ”Pra quê? Um trilhão de
comentários nesse desabafo. Eu li muitos, me identifiquei com muitos. Eu gosto
de brincar, eu não amo brincar. Eu estou aprendendo a brincar. Meu marido
brinca melhor que eu. Minha sogra brinca melhor que eu. Eu me esforço, eu diria
que gosto mais de contar histórias. Um dos comentários dizia: O meu trabalho é
a minha brincadeira. Me vi 100% nisso. O meu trabalho, definitivamente, é a
minha brincadeira e, diferente, da minha primeira filha que fiquei 5 meses 100%
dedicada a ela, agora senti vontade de “brincar” antes. E como tudo na vida tem
vantagens e desvantagens, a vantagem de ser empreendedora é que podemos voltar
parcial, pouquinho e foi o que fiz, a desvantagem é que o pequeno tempo livre
que tenho estou aqui sentada trabalhando, quando na primeira gravidez estava
descansando, dormindo, fazendo ioga. Por que estou fazendo isso? Porque meu
trabalho me realiza, porque gosto do pedaço maternidade, mas meu trabalho me
lembra quem sou antes de ser mãe, me lembra o que vim fazer nesse mundo que,
embora às vezes pareça menor que o cuidado com minhas filhas, é muito maior, é
muito mais amplo e beneficia muitas pessoas. Eu sei que estou fazendo o bem
para a Lisa e para a Maria, porque preciso urgente contribuir com um lugar
melhor de trabalho para as pessoas e, especificamente, para as mulheres. O
tempo é curto e como diz a Susan Andrews (minha guru), não tem almoço grátis, a
evolução espiritual vem através dessa luta diária com nossos pequenos/grandes
desafios.
O meu principal desafio desse momento, minha pergunta é: qual
modelo vai sustentar tudo isso? Como continuar trabalhando ou, melhor,
brincando com a minha brincadeira favorita e ao mesmo tempo estando presente no
dia a dia (na rotina) com as meninas? Estou na busca, ainda não sei a
resposta... já, já assim que descobrir eu te conto, prometo!
